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O que mais poderíamos desejar?

A cada acesso do internauta, a alegria da autora em compartilhar, apesar de tudo, uma visão otimista do dito mundo globalizado!

...e ainda assim, existe uma outra grande necessidade:

- se escrevo é para não lembrar que o mundo não passa de um poço de esquecimento.

Obrigada...

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Amadeo, muito próximo




Vale a pena ver a exposição de Amadeo Modigliani   no Masp em São Paulo
http://masp.art.br/masp2010/ ). É um programa e tanto. A exposição fica até 15 de julho de 2012. Terça-feira é de graça. Nos outros dias, a entrada é R$ 15,00 (inteira) e R$ 7,00 (meia).

Aproveitei um intervalo de minhas consultas médicas e fui vê-lo. 

Sou apaixonada pela sua pintura: as cores de sua palheta e o traçado de sua linha deixam o corpo da mulher iluminado. E as mulheres e os personagens que ele tão bem observou transmitem até ao expectador desatento a cumplicidade  das  pinceladas que o eternizaram. 

Seria o italiano um sefardita em fuga a descortinar o nu feminino? Ou seria Amadeo uma criança perdida a explorar os limites do corpo físico? Já não sei, mas penso que ele não gostaria de uma definição. Ele foi para Paris no início do Século Vinte, por volta de 1906. Quando saiu da Itália levou consigo as aulas dos grandes mestres da pintura clássica. Lá deixou também sua mãe, talvez a maior referência, já que revelou como ninguém o universo feminino. Desde então nunca se enquadrou num estilo, nem de vida, nem mesmo na Escola dos Impressionistas.

Para mim, sua pintura é tão essencial como o ar que respiramos. Ela nos diz:


- Hoje tenho de pintar esse quadro senão eu enlouqueço.


Por isso, ver Amadeo de perto não é algo fácil...


sábado, 21 de abril de 2012

Parque de Oportunidades Coletivas



É uma pena que tantas pessoas que moram e trabalham em Ouro Fino ainda defendam que o "velho" deva ser posto, literalmente, no chão. Ontem, um amigo, desesperado e inconformado, me disse: Consuelo, você viu que estão demolindo outra casa antiga em Ouro Fino? De novo, é uma casa de esquina, de propriedade privada, bem na entrada da cidade...

Hoje o dia é especialmente triste,  muito triste! Primeiro, porque é dia de Tiradentes e eu não vi nada na cidade que lembrasse ou enaltecesse a coragem e a ousadia dos Inconfidentes... Perigoso, não é mesmo? Nossos jovens não precisam de livros e exemplos, precisam só de drogas e bebidas. É ou não assim que pensam os que estão no comando da cidade?  

Até a manifestação pública em frente à Prefeitura foi para lá de tímida, desconcertante. Poderia ter sido um ato de cidadania, um encontro de diferentes... mas foi um retrato falado de nossa desesperança ou até de nossa indiferença. A manifestação foi marcada para as 10 horas da manhã de hoje e, quando passei por lá nesse horário, não havia um gato pingado! Agora, vejo pelo "facebook", que algumas pessoas compareceram ao encontro, mas isso já era quase 11 horas. Tiro o chapéu para todos vocês que estiveram presentes e que exigiram o hasteamento das bandeiras.

O clima na cidade é tão ruim que nem as bandeiras haviam sido hasteadas em frente à Prefeitura como manda a lei. E o pior: o comércio decretou ponto facultativo, quando não o poderia fazer, porque dia 21 de Abril é feriado nacional garantido em nossa Constituição da República. O que querem todos mascarar? Nossa vergonha é tanta, que alguns nem mais levantam os olhos do chão. Caminham satisfeitos para o abismo do tal "progresso", mesmo que o custo da Assembléia Legislativa de Minas alcance a cifra de quase 1 bilhão de gastos com os nossos diligentes e competentes Deputados Estaduais.

É essa a cidade "nova" que os donos do "buraco" querem? Não vejo luz para um povo que faz de tudo para enfeiar e empobrecer o lugar em que vivem. E não me digam que exagero: basta andar pelas ruas e olhar como  tudo está abandonado. Os bairros, que tristeza! Transpiram o sentimento de descaso e a crise institucional não é maior que a crise moral. Que cidade é essa? Que ódio é esse que paira sobre os homens e as mulheres de Ouro Fino?

Quanta coisa nos falta, quanto nos é roubado, quantas gerações estão condenadas à miséria da escravidão do dinheiro fácil. A quem esse povo engana? A quem esses mal vividos dias sustentam? E quais agressões são mais violentas do que subtrair do povo o direito da cidadania? 

Não, não me venham com essa conversa mole... O mundo todo já entendeu que o modelo de desenvolvimento que prestigia o dinheiro pelo dinheiro não é o que vai sustentar as novas gerações. Que projeto suicida é esse que estamos ajudando a construir com a nossa falta de vergonha na cara? Que discursos são esses que só enaltecem a vaidade dos imbecis? Não, não dá mais. Não é possível que estamos todos a concordar com isto!

E mais...Se você acha que a preservação da memória e da história de uma cidade é assunto que   só cabe na esfera das decisões do dono do bem, então você ainda não entendeu que a sua "casa" faz parte de um espaço de atividades coletivas. Se cada um acha que pode fazer o que quiser com o bem que lhe pertence, então é melhor esperar por dias cada vez piores e mais tristes como o de hoje.

Enquanto poderíamos construir mais lazer, equipar com novas tecnologias as escolas, pagar salários dignos aos nossos  professores,  vamos  é ter de levantar cada vez mais  altos muros e construir prisões para ladrões de galinha. E na cidade do faz de conta, uns fingem que ensinam, outros que aprendem. 

E assim a ladainha continua...

Uma cidade do presente é aquela que dá espaço para que as novas ideias frutifiquem por um longo período e com várias possibilidades de prosperidade para o maior número de pessoas. 

Uma cidade não é um Clube Particular. É um Parque de Oportunidades Coletivas.  

Todos nós temos a nossa cota de responsabilidade nesta sempre inacabada construção.


Felisberto, Francisca e José Antônio


Bartolomeu Lourenço de Gusmão e sua Passarola 

Neste dia 21 de Abril, feriado nacional, dia do esquecido Tiradentes, fui fazer uma das coisas que mais gosto e , ao iniciar a leitura do livro de Aureliano Leite, "O Cabo-Maior dos Paulistas na Guerra com os Emboabas", deparei-me com as folhas amareladas e datilografadas pelo meu saudoso tio Joaquim Pitaguary Júnior: é a descendência de Felisberto, Francisca e José Antônio.

Dor e Amor confundem-se nas páginas de nossa história, mas talvez precisem ser contadas para as novas gerações, não para revolver as velhas mágoas, mas para reviver e compreender o presente.


Francisca casou-se duas vezes mas, diferente da maioria das mulheres de seu tempo, não enviuvou de Felisberto: apaixonou-se perdidamente por José Antônio. É, portanto, uma história de amor numa época em que os casamentos eram todos "arranjados". Conta-se que, Felisberto, ficou tão desolado e triste com a separação, que isolou-se em sua Chácara, onde hoje é o "morrão".

Francisca era filha do Brigadeiro José da Silva Brandão e de D. Anna de Sanches Brandão de Seixas da Silva e Ávila.  Era, com certeza, uma Sanches Brandão e seu nome correto é Francisca Justiniana de Sanches Brandão de Seixas da Silva e Ávila. D.Anna, sua mãe,  nascida em 1764, era filha do Oficial de Dragões Francisco Sanches Brandão c.c. Izabel Feliciana Narcisa de Seixas, que era irmã de Maria Dorothea Joaquina de Seixas, mãe da homônima Maria Dorothea Joaquina de Seixas, noiva do Inconfidente Thomás Antônio Gonzaga, a "Marília de Dirceo".

Nasceu em 1794 e faleceu, aos 85 anos, em 03 de setembro de 1879. D. Anna de Sanches Brandão de Seixas da Silva e Ávila é a nossa antepassada que nos aproxima de Domingas Gonçalves (nascida em 1680 c.c. Antônio de Seixas). Domingas era irmã de Alexandre de Gusmão (Santos-1695 - Lisboa-1753) e de Bartolomeu Lourenço de Gusmão, o Padre Voador,  filhos do cirurgião em Santos, Francisco Lourenço Rodrigues e de D. Maria Álvares. O sobrenome Gusmão foi uma homenagem ao Padre Alexandre de Gusmão, da Companhia de Jesus, que incentivou o estudo dos jovens. O casal teve 12 filhos, sendo que 8 deles seguiram a vocação religiosa.

Ver "Velhos Troncos Mineiros", de Raimundo Trindade, da Empresa Gráfica da Revista dos Tribunais, São Paulo, 1955.

Resolvi transcrevê-las aqui do mesmo modo como estão impressas no papel que ainda resiste e que encontrei, por acaso, dentro do livro de Aureliano Leite: 


"SARGENTO  MOR FELISBERTO CANDIDO RODRIGUES BUENO, casado com Dona Francisca de Seixas da Silva e Ávila. O casal teve 8 filhos:

1º - Capitão José Porfírio Bueno Brandão, casado com D. Maria Madalena Bueno Brandão (Eram pais de D. Maria Madalena Inácio Gonçalves Lopes e D. Emília Flávia de Oliveira) - NÃO CONSTA DESCENDÊNCIA;

2º - D. Beatriz Francisca de Assis, casada com Manoel Jacinto Castelo Branco, que tiveram os seguintes filhos:

       1.2 = Clavelina Castelo Branco de Freitas, c.c. Joaquim Ricardo Vieira de Freitas.
       2.2 = Etelvina Castelo Branco de Freitas, c.c. Joaquim Ricardo Vieira de Freitas.
       3.2 = Adélia Castelo Branco Figueira, c.c. Luiz de Avelar Figueira.
       4.2 = Otavio Cândido Castelo Branco, c.c. Irene Sampaio Castelo Branco.

3º - Higino Inácio Brandão, c.c. Miquelina Leocádio dos Reis. São filhos do casal:
     
       1.3 = Francisca Higina de Oliveira Carvalho, c.c. José Antônio de Oliveira Carvalho (o "Zeca das       Casinhas).
           2.3 = Guilhermina Sanches de Lemos, c.c. o seu tio Sabino Sanches de Lemos.
           3.3 = Maria Isabel de Oliveira Brandão, c.c. Bernardo Garcia Leal.
           4.3 = Teodoro Higino Brandão, c.c. Ambrosina Loiola.
           5.3 = José Higino Brandão, faleceu solteiro.

(O MESMO HIGINO INÁCIO BRANDÃO, casou-se em segundas núpcias com D. Maria Inácia      Pires de Oliveira, tendo um único filho, Higino de Oliveira Brandão, c.c. D. Delmira Garcia de Oliveira).

4º - Balbina Cândida da Silva, c.c. José Augusto Castelo Branco (Transferiram-se para o estado do Rio). Tiveram os seguintes filhos:

        1.4 = Florisminda Castelo Branco, c.c. João Muniz da Silva.
        2.4 = Otaviano Augusto Castelo Branco.
        3.4 = Liodelina Augusta Castelo Branco Tavares, c.c. Luiz Ribeiro de Souza Tavares.

5º - Cap. Francisco de Paula Bueno Brandão, c.c. Delfina Elizarda de Oliveira. Tiveram os seguintes filhos:

       1.5 = Maria Inácia de Oliveira, c.c. José Ribeiro de Miranda.
       2.5 = Francisco de Paula Brandão (este transferiu-se para Brotas ou Dois Córregos).
       3.5 = Martiniano de Paula Brandão, c.c. D. Adelaide de Paula Brandão.
       4.5 = Delfina Elizarda Brandão, c.c. Lino Afonso Corrêa de Lacerda.
       5.5 = Eliza de Paula Brandão, c.c. Antônio Manoel de Rabelo.

6º - Amador Cândido Rodrigues Bueno, c.c. D. Emerenciana Henriqueta de Oliveira ( transf. para Brotas). Tiveram os seguintes filhos:

        1.6 = Aureliano Cândido Rodrigues Bueno, c.c. D. Ana Euflausina de Oliveira.
        2.6 = Inácio Gonçalves Lopes, c.c. D. Maria Vitória de Oliveira.
        3.6 = Maria Honória de Oliveira, c.c. Ladislau Diogo de Oliveira.
        4.6 = Francisco Cândido Rodrigues ( Foi casado, não constando outros dados).

7º - Ana Izabel Bueno, c.c. José Claro de Almeida. Tiveram os seguintes filhos:

        1.7 = Dr. Francisco Silviano de Almeida Brandão, c. 1c. D. Maria Isabel de Paiva e, em segundas núpcias (sua irmã), D. Ester de Paiva, que ainda vive e assina Ester Silviano Brandão).
          2.7 = Umbelina Cândido de Melo, c.c. João Lino de Melo.
          3.7 = Rita Claro de Almeida Pais, c.c. Possidônio Tavares Pais.
          4.7 = Maria Izabel Brandão, c.c. Horácio Pereira Guimarães.
          5.7 = José Flávio de Almeida Brandão, c.c. Ana Justino de Melo.
          6.7 = Teodoro Augusto de Almeida Brandão, c. 1c. D. Amélia Augusta Gomes Teixeira Brandão, e c.2c. Carlina Leonel Brandão.
          7.7 = Felisberto Cândido de Almeida Brandão. Fal. solteiro.
          8.7 = José Ramos de Almeida Brandão, c.c. Maria Meyer Ramos Brandão.
          9.7 = Beatriz Constancia de Almeida Brandão, c.c. Tomaz Ribeiro de Carvalho.

8º - Francisca de Paula Sanches, c.c. Francisco de Paiva Bueno. São filhos do casal:

          1.8 = Almirante Francisco Augusto de Paiva Bueno Brandão, que foi casado com uma inglesa - Jessy Coock .
              2.8 = Adelaide de Paiva Bueno ( Adelaide de Paula Brandão), c.c. Martiniano de Paula Brandão.
           3.8 =  Senador Júlio Bueno Brandão, c.c. sua prima D. Hilda Ribeiro de Miranda, filha de José Ribeiro de Miranda e de D. Maria Inácia de Miranda.
              4.8 = Estevão de Paiva Bueno, c.1c. D. Alice de Paiva Mendonça e c.2c. com D. Maria José de Azevedo, filha de Tristão Azevedo e Amélia Goulart.
             5.8 = Maria Izabel de Paiva, c.c. seu primo Dr. Francisco Silviano de Almeida Brandão, filho de José Claro de Almeida e D. Ana Izabel Bueno.
               6.8 = Ester de Paiva, c.c. seu primo Dr. Francisco Silviano de Almeida Brandão ( 2º casamento).
               7.8 = Ernesto Paiva Bueno. Faleceu solteiro.
           8.8 = Cristiano Augusto de Paiva Bueno. Transferiu-se para o norte do país e nunca mais deu notícias aos parentes.
            9.8 = Ambrósia de Paiva Cortes, c.c. Dr. Gabriel Cândido de Figueiredo Cortes, filho de Justiniano Cortes de Figueiredo e de D. Candida Cardoso Cortes.

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DONA FRANCISCA JUSTINIANA DE SEIXAS DA SILVA E ÁVILA , c.2c. Cel. José Antônio de Lemos. D. Francisca passou a assinar Francisca Sanches de Lemos. O casal teve os seguintes filhos:

1º - Rita Sanches de Lemos, c.c. seu primo Major Francisco Antônio Guimarães de Lima, filho do Barão do Rio Verde. São filhos do casal:

         1.1 = Dr. Pedro Sanches de Lemos, c.c. D. Ana Jacinta Junqueira de Lemos. Dr. Pedro faleceu em Poços de Caldas. Foi um dos idealizadores e fundadores do balneário.
           2.1 = D. Francisca Sanches, c.c. João de Freitas Guimarães ( estes transferiram-se para Campinas).
           3.1 = D. Maria Sanches. c.c. Jordão de Barros. Também transferiram-se para Campinas.
           4.1 = Luiz Sanches de Lemos, casado na família Pimenta, de São Sebastião do Paraíso.

2º - João Roberto Sanches de Lemos. Faleceu solteiro.

3º - D. Ursulina Sanches de Lemos, c.1c. Dr. José Belizário de Oliveira Cordeiro (filho único de D. Maria do Carmo Josefina de Vilhena, c.c. Manuel José de Oliveira Cordeiro, português)  e, em segundas núpcias, com José Alves de Barros. Do 1º casamento houve dois filhos:

         1.1 = Dr. José Belizário de Lemos Cordeiro, médico no Rio de Janeiro, c.c. D. Elvira Pinheiro. Este casal teve um filho - José Belizário de Lemos Cordeiro, c.c. D. Stela Jordão e que exerceu as funções de Guarda-mór na Alfândega de Santos. Sem descendência.
       2.1 = Maria da Anunciação c.c. o Dr. Cleóphano Pitaguary de Araújo. São seus filhos: Joaquim Pitaguary, Dr. Cleóphano Pitaguary, Antonio Sanches de Lemos, D. Maria Teonila Pitaguary, Alberto Pitaguary.

4º - Padre Antônio Sanches de Lemos

5º - Major Sabino Sanches de Lemos, c.c. sua sobrinha Guilhermina Sanches de Lemos. O casal teve os seguintes filhos:

          1.5 = Juvenal Sanches de Lemos Brandão, c.c. Etelvina Barbedo Brandão.
          2.5 = Miquelina de Lemos Miranda, c.c. o Dr. Feliciano Duarte de Miranda.
          3.5 = Antônio Sanches de Lemos. Faleceu solteiro.
          4.5 = Higina Lemos Pitaguary, c.c. Joaquim Pitaguary.
          5.5 = Alvaro Sanches de Lemos, c.c. D. Teolinda de Barros Lemos.
          6.5 = Eugênia de Lemos Jardim, c.c. Constante Ferreira Jardim.
          7.5 = José Antônio de Lemos, c.c. Davina Duarte de Lemos.
          8.5 = Samuel Sanches de Lemos, c.c. Leonina Ribeiro Lemos.
          9.5 = Amando Sanches de Lemos, c.c. Maria José Pinheiro Lemos.
        10.5 = Sabina de Lemos Apocalypse, c.c. Luiz Apocalypse."

Vale a pena acessar os links abaixo para conhecer um pouco da história de Alexandre de Gusmão, grande diplomata e um dos idealizadores do Tratado de Madrid, e de Bartholomeu  Lourenço de Gusmão, mais conhecido com o "Padre Voador". Dois homens à frente de seu tempo. Dois brasileiros que não são lembrados por aqui e que tem conexão direta com a nossa Ouro Fino, através de Francisca e toda a sua descendência.

http://www.artefatocultural.com.br/portal/index.php?secao=news&id_noticia=332&subsecao=65

http://www.ihgs.com.br/cadeiras/patronos/alexandredegusmao.html


        

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Baú de Almas



Olho pro céu
olho pro chão 
olho e foco
somente
o meu Coração

Vejo os seus olhos
cheios d´água
nascentes de vida
a refletir o luar
a pratear o meu peito
de pura emoção

Olho pro céu
olho pro chão
olho e foco
somente
a minha Casa

Ouço doces vozes
cantigas de ninar
costumes de todas as gentes
louvores de todos os povos
- cantados com energia -
 metas coletivas
a resgatar uma vida melhor
 - muitas das vezes - 
na linha da bola fora de campo
mas ainda assim 
dentro do jogo

Olho pro céu
olho pro chão
olho e foco
somente
a minha Rua

Sinto ventos fortes e velozes
a soprar leves e soltos
- quase uma brisa fresca -
as velhas esperanças 
as novas éticas emboloradas
da moral adormecida
muitas e muitas repetidas vezes 
esgarçadas
moribundas
abandonadas
esquecidas


Eternas
bolas de sabão
voam 
sem fim 
sem começo

Flutuam
n´algum lugar
...

Olho pro céu
olho pro chão
olho e foco
somente
a minha Nação

Vejo seres 
resignados e sábios
todos com  conhecimento para 
transformar os desejos e os sonhos
na mais bela realidade


a Fé no Homem
conserva as certezas 
muito além
das conquistas e das derrotas
do bem vivido 
dia a dia

Por isso 
Vida
a ser vivida e enfrentada

Por isso 
Morte
a ser  desafiada e esperada

Tudo com sonhos, amor e carinho

Olho pro céu
olho pro chão
olho e foco
somente
o meu Irmão


Vejo
Mãos Calejadas
Sinto
Mãos Sofridas
 que gesticulam
palavras poderosas


-  nunca se calam -


só mudam de boca
 e acalmam o nosso eu
na busca honesta da felicidade 
 do viver o nós e os nós
com as recordações-mudas
...

Só isso já me basta
pra ser Feliz


Isso me refaz 


Ser e Existir
de 
Verdade


senão, o que levo para o meu baú de ossos


???


Dúvidas, dúvidas e mais dúvidas

Olho pro céu
olho pro chão
olho e foco
somente
o nosso Universo

e

o cotidiano
renasce
tranquilo 
e
esquece, esquece e esquece


- quase por querer -


as faíscas e os trovões da boa solidão

Agora olho
pro meu chão
de 
estrelas invisíveis

Agora olho
pro meu céu
de
pedras cintilantes

Sempre
Viva


Vida Bela
Vida Suave
de quem  sabe encher
esse
baú de felicidade


- lembranças e saudades -


guardados na poeira
 como um Tesouro de Memórias

Por isso
olho pro Céu
Por isso
olho pro Chão

Olho e foco 
somente 
a luz de qualquer estrela
a pedra de qualquer caminho


 e


 os dias agora têm sentido de festa...

Maria Consuelo Apocalypse Jóia Paulini
ouro fino, 03 de junho de 2000 


terça-feira, 17 de abril de 2012

Facebook no Brasil


Dizem que o facebook no Brasil não é usado pelos brasileiros do jeito que o seu fundador, Mark Zuckerberg, gostaria. Bom, como brasileira e usuária do facebook, não me senti magoada com as suas declarações, mas fiquei imensamente curiosa para saber como o restante do mundo utiliza esta mídia em seu dia-a-dia. 

É certo que muitos abusos são cometidos em suas páginas e que poderíamos usá-lo de uma forma menos infantil.   Os engenheiros da rede de relacionamento pensavam em permitir a inserção de imagens no formato gifts animados, mas foram desaconselhados por Mark, que não quer que o Facebook vire um Orkut, principalmente, por causa do comportamento dos brasileiros.

Segundo Luiz Felipe Pondé, colaborador da Folha de São Paulo, em seu texto, Narcisismo no "Face": 

"Cuidado! Quem tem muitos amigos no "Face" pode ter uma personalidade narcísica. Personalidade narcísica não é quem se ama muito, é alguém muito carente."    

Então, cá para nós, pelo visto, somos todos muito carentes! Quantos amigos temos no Facebook... Desses, quantos ganham vida na realidade e estão dentro do significado da palavra amizade?

Talvez, por isso, seria prudente ler o texto todo de Pondé, mas vou destacar aqui um trecho interessante: 

" Segundo a pesquisa da Universidade de Western Illinois (EUA), discutida pelo periódico britânico, um senso de merecimento e respeito, desejo de manipulação e de tirar vantagens dos outros marca esses bebês grandes do mundo contemporâneo, que assumem que seus vômitos são significativos o bastante para serem postados no Face."

Discute-se muito quanto à autoestima do brasileiro. Quem não se lembra do lema do Regime Militar: 
"Brasil: ame-o ou deixe-o" 

Pais e educadores, desde muito, estão empenhados em levantar a autoestima dos filhos e dos educandos, mas qual é a exata medida do remédio? Será que não estamos banindo do vocabulário dessas "crianças" a palavra NÃO?

E o que é o vasto mundo senão uma inesgotável fonte de NÃOS? 

Deve ser por isso que, os solitários cavaleiros e as intrépidas amazonas plugados, virtualmente, aventuram-se só em territórios onde a matéria prima de seus discursos são os impensados e desejados "SIMS". Quando no caminho encontram uma ideia diferente da sua e contra os seus interesses, explodem em ira e maledicências. E não há nada melhor que o "Face" para isso...e, neste sentido, todas as redes de relacionamento, cumprem muito bem o seu papel e evidenciam cada vez mais a nossa covardia.

...mas, desde sempre, a nossa condição neste mundo caótico é frágil, muito mais do que imaginamos. E são nas noites estreladas de abril, nos céus azul anil, quando a lua ainda é fio, que só o que nos resta é fazer de conta que estamos sempre no controle de...

Quando pensamos que tudo sabemos, descobrimos que somos só e talvez menos que um grão de areia perdidos num dos universos-bolha, este nosso, cada vez mais frio e distante. Estamos todos acelerando para o nada. A nossa solidão cósmica está registrada nas falas dos cientistas contemporâneos e os poetas, desde muito, já intuíram que esse plano é só mais uma das dimensões do espaço-tempo. O insondável  nos diz: o macro cabe no micro que um  "dia", se é que houve esse "tempo", explodiu e nos lançou à aventura da matéria.

É por isso que, delicados são os passos que devemos estar prontos para dar, se quisermos combater os nossos vários medos - e são muitos -  porque, ontem, hoje e sempre, mesmo sem querer ou perceber, estamos de frente com a nossa atávica carência coletiva. Se temos como nos consolar desta insólita paisagem é melhor que voltemos as nossas ações para a solidariedade.

E como termina Luiz Felipe Pondé no texto já citado acima: 

"A educação não deve ser feita para aumentar a nossa autoestima, mas para nos ajudar a enfrentar nossa atormentada humanidade."

Um bom momento para refletir sobre as nossas ações no Facebook.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Ruas de Casa

Quando passo pela rua
que já foi Tiradentes
onde morou os meus avós
- lá na Casa -
no alto do morro
cravejada entre as montanhas
meu pensamento
voa
e
as lembranças
vão
aos poucos
descongelando
...

Quando passo pela outra
das primeiras da cidade


- caminho para as catas -

na Casa de esquina
onde morou os meus bisavós
do fundo de minha alma
busco as histórias 
das pessoas
de bom coração
e
a memória 
 pouco a pouco 
vai


relembrando
...

São fatos simples
histórias engraçadas
...


São espoletas e estalinhos
que minha imaginação de criança
joga no chão de outrora

São ruas que se cruzam


- em falatórios mil -


ruas 
com as quais dialogo
e
por onde passaram
pessoas 
que

"nesse vale de lágrimas"

não se esqueceram de contar
as histórias risonhas e felizes
daqueles que ali viveram
às vezes 
em
petição de miséria

São 
vias
casamentos

- encruzilhadas-

ironias do destino
...

mas ainda assim 
são caminhos
de 


julietas e romeus


onde não cabem 
o rancor
 a vingança
a  maledicência
...
São 
 alamedas
de 
Amor

- tão suaves e latentes -


como 
as estradas 
da minha Vida
...

segunda-feira, 26 de março de 2012

Todo mundo vê, todo mundo sabe

Da minha janela
Dias difíceis em Ouro Fino. Descobrimos que nossa cidade recebe muita verba, mas faltam homens e mulheres com disposição para tratar o dinheiro público com seriedade e honestidade. Dá para sentir no ar que os cofres públicos sustentam muita gente: o silêncio reina.

Na terra do ouro fino tudo pode acontecer. Dizem, há muito tempo, que somos  uma terra sem lei e deve ser por isso que muitos espertalhões têm território livre por estas bandas. Alguns, até moram aqui. E sorridentes e sempre solícitos gastam o nosso dinheiro por aí. 

Mas faz dias que meu estômago está embrulhado, tantas são as notícias da falta de zelo dos políticos com as nossas crianças e  jovens, todos, irremediavelmente, abandonados à sorte. Penso neles, porque todas essas notícias do arco da velha detonam o nosso dinamismo. A cidade sofre e agoniza com estas constantes ações criminosas. Quem deveria cuidar e dar o exemplo é quem mais dilapida e falseia o patrimônio público. Tudo isso acontece na calada da noite, mas reflete sem dó no amanhã de todos nós.

Não quero nem falar das obras superfaturadas, todas elas de péssima qualidade e gosto, nem sussurrar sobre as  que estão  inacabadas e abandonadas. Nem dizer que a nossa Ouro Fino está sendo posta no chão, porque não temos  cultura de preservação e amor à memória. Todas essas ações, sem exceção, a flor da pele e à vista da população. Para que fazer isto? Não seria melhor que estes políticos cumprissem o seu papel? Não seria melhor se todos nós tivéssemos um outro olhar? Que de exploradores passássemos todos a cuidadores da cidade?

Todo mundo vê, todo mundo sente, todo mundo sabe, mas diante de nossa inação ou nossa covardia ou nossa desesperança, eles, esses políticos ávidos só por poder e glória, perderam há muito a capacidade de disfarçar até a roubalheira institucionalizada no âmbito Municipal, Estadual e Federal. Sim, porque tanta corrupção, nos faz crer que estamos falando não de políticos, mas de organizações criminosas.

Uns são alegres, companheiros, pagam churrascos, soltam foguetes, tomam umas e outras. Outros são sorrateiros, vão a todos os velórios, estendem a mão e até nos reconhece pelo nome. Até campanha política em banco uns fazem... Todos eles unidos  numa só atitude: mascarar a realidade e dividir o prêmio. Como então, falar em Partidos Políticos, quando a cena já está montada seja lá qual deles ganhar a eleição? E pior, tudo isso só aproxima o drama dos eleitores à tragédia do político. 

E porque usam o dinheiro público sem prestar contas a ninguém, nem mesmo para si, não se dão ao luxo de fazer as contas para ver se o orçamento da Casa estourou. Sou capaz até de imaginar que conseguem fazer economia só quando, gentilmente, dizem que prestam mil favores à comunidade. São tão ardilosos e  maquiavélicos que, quando fazem uma mutreta ( e sempre só fazem mutretas mil ), vêem a malandragem como se fosse algo que tivesse de ser feito para o bem do povo. 

Puxa vida, que tristeza! 

Para onde vamos e com quem estamos?